Publicado por: 5dollarshoes | 08/02/2010

Nine inch FAILS

Bem, queria escrever aqui sobre um filme que eu vi nesse final de semana e me intrigou muito: A Fita Branca, do diretor Michael Haneke (Caché, Funny Games). Mas a sensação ao sair do cinema após a exibição ainda ta me corroendo com sua brutalidade e ao mesmo tempo simplicidade de falar sobre algo em sua essência: o mal. Daí hoje, pelo contrário, vi um filme que lá pelos seus 15 minutos de projeção, já me fez sentir algo bastante estabelecido: “que porcaria é essa, cadê os créditos finais?”. E o filme em questão é Nine, do Rob Marshall (Chicago).

 Bem, não vou ficar falando aqui da história mais do que divulgada do filme, baseado num musical blablabla, que presta homenagem ao cinema italiano, e um diretor e filmes especificos e blablabla. Na verdade o filme pareceu uma grande coleção de fetiches descontrolados.

Mais como um retrato da cultura-pop atual, que busca nos antepassados a glória, a fama e a liberdade que faltam hoje numa sociedade hipócrita e recatada, o filme tenta se sustentar numa história fraca para mostrar divas, wayfarers e músicas insossas. Como tô sem paciência pra fechar esse texto sobre um filme que possui tantas falhas gritantes em uma coisa homogênea, vou apenas ressaltar 9 coisas que mais devem ser “observadas” nesse musical:

1- Apesar de ser uma das únicas três atrizes que tentam dar alguma dimensão à suas personagens, a Penelope Cruz realmente precisa daquela cena digna de filme pornô barato, quase mostrando a vagina?
2- Roteiro podre, que não traz atração nenhuma à suas personagens, ficando isso a cargo total dos atores (onde só alguns vão conseguir tal feito, como a Penelope, Marion, Judi e Daniel), e menos ainda na história, que começa sem graça, e acaba sem recompensa emocional para as pessoas que tão assistindo, sendo todo o filme solucionado nos seus 5 minutos finais.
3- A Sophia Loren já não possui mais controle facial NENHUM!
4- Bom, por mais jogada ao acaso que seja, o número musical da Fergie (que não possui fala nenhuma) é um dos mais interessantes, tanto pela dancinha e os pandeirinhos (adorei!), como pelo seu contexto visual e histórico, que é quando o diretor toma emprestado alguns planos e enquadramentos europeus pra contar um pouco da infância da personagem Guido, e numa tacada genial mostra a busca da personagem pelo prazer do corpo feminino e sua revolta contra as autoridades familiares, sociais e religiosos (coisa que o filme inteiro continua redundantemente insistindo em nos mostrar).
5- A cena da Nicole Kidman “cantando” ao redor da fonte? Seria bem mais legal se o desfecho fosse alguém jogando ela na água.
6- AI POR FAVOR, QUEM DISSE QUE A KATE HUDSON TEM A MELHOR PARTE MUSICAL??? Ela surge numa passarela, com modelos enrolados em ternos italianos e Wayfarers (alguém sentiu clichê aí?)!!! E quando eu penso que o único mérito da trilha sonora era não possuir nenhum apelo ao pop ou hip-hop, surge ela cantando a música mais irritante do filme, onde o refrão é tão catchy quanto qualquer uma da Lady Gaga e o visual parece qualquer coisa digna de uma ex-Spice Girl falida.
7-Alguns comandam um banco, outros são padeiros e fazem pão, mas meu marido faz filmes”??????? WORST.SENTENCES.IN.A.SONG.EVER.
8- Rob Marshall tem dinheiro e vontade, mas falta talento e direção pra comandar tudo o que ele tinha nas mãos.
9- Até o momento em que eu escrevia o item 7 dessa lista, eu já tinho esquecido completamente do número musical da Judi Dench/Anna Wintour encalhada no piano.

O filme todo podia ser apenas um belo clipe, bjs.

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