Publicado por: 5dollarshoes | 12/01/2010

O pato, a morte e a tulipa.

   Hoje no trabalho, resolvi que ia dar um tempo de livros de música e da sessão de Cantoras de Jazz, e ia dar uma passeada na sessão infantil e pegar algumas coisas legais, já que há tanto tempo ando meio desligado do que tá acontecendo na parte do mundo que desconhece o Twitter, rock, drogas ou fama. E redescobri como a literatura infantil é tão cheia de simbolismos e sensibilidade para com sentimentos que são tão dificeis de entender, como também de se falar. E no meio de uns 8 livros que eu peguei, lá estava o lançamento da Cosac Naify “O pato, a morte e a tulipa”.

   Com desenhos meio rabiscados, sutis, e cores que quase se parecem com a do fundo do papel, o conto fala sobre um pato que tem um encontro com uma simpática morte, e a questiona sobre para onde está indo, ou como vai acontecer o infalível evento. E tudo o que a morte tem a dizer ao preocupado patinho é: raposa. Ao invés de entrar em desespero, coisa muito própria do mundo cartunesco, ou insistir com as perguntas que nunca iriam ver respostas, o pato convida a morte para ir ao lago, e observar o mundo do alto de uma árvore, fazendo com que a morte guarde sua tulipa (os mais atenciosos vão refletir muito sobre o significado da tulipa), e entrando numa relação muito que afeituosa com o patinho, até o dia em que ele começa a sentir frio, e ver uma leve cortina de neve, e pede para que a morte o aqueça.

   Trazendo aos leitores mais jovens uma noção de preocupação de como eles vão desfrutar sua vida daqui pra frente e entender/aceitar a morte, e aos mais velhos, a chance de reconsiderar suas opiniões sobre questões fundamentais que são perdidas na complexidade das relações do dia-a-dia, lidando tudo com um imediato descontrolado, que nos faz pensar para onde estamos indo e qual caminho tomamos mais cedo. O pato, a morte e a tulipa, assim como em O Pequeno Príncipe e Onde Vivem os Monstros, que tratam dos pesos do amor e da solidão, e da infância e da confiança, respectivamente, nos faz pensar em como poderiamos, a partir de nossas experiências pessoais, reagir à uma morte tão convidativa, que está tão interessada nos assuntos terrenos, que pode até nos dar um tempo para mostrar que algo que fazemos aqui embaixo realmente vale a pena.

“É tão estranho ver as coisas do alto de uma árvore.”

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