Publicado por: 5dollarshoes | 04/10/2009

Empatia pelo vampiro.

Acho que os bons criadores de histórias de vampiros atualmente perceberam que a idéia fantasiosa de querer SER um vampiro não tá com nada. O bom é TER um vampiro.
Lat-Den-Ratte-Komma-In

Pelo menos foi a minha sensação ao sair da sessão do filme Deixa Ela Entrar. Atração super disputada na Mostra de São Paulo do ano passado, e no Festival de Terror desse ano (não consegui ingresso para ambos ._.), finalmente o filme estréia por aqui em pouquíssimas salas, que não deixam de estar lotadas. let-the-right-one-in-9O filme conta a história de Oskar, um menino que vive numa Suécia totalmente coberta por gelo, que é saco de pancada pra um bando de pirralho FDP que só tá na aula pra praticar bullying. Uma noite, ele conhece a nova vizinha Eli, uma menina também de 12 anos (“mais ou menos”), e acabam criando uma ligação maior do que amizade. A partir dessa amizade, cada um vai descobrindo no outro a força pra continuar vivendo. Oskar, como um menino fraco, frágil e sem o apoio de pais e amigos, encontra na força sobrenatural de Eli a coragem para enfrentar os garotos do colégio, enquanto Eli, que segura por anos o fardo de sobreviver as custas de sangue humano (a cena em que mostra a Eli chorando após atacar um homem é chocante), encontra na amizade e no carinho de Oskar uma razão para existir.

Tecnicamente, o filme é um dos mais bem construidos que já vi por um tempinho. Filme realista, e propositalmente minimalista, o filme tenta ganhar você nos detalhes. Não tá interessado em espirrar sangue por toda a imagem, nem mostrar dentes falsos, vampiros voando, e outras coisas. São nos detalhes da pupila da Eli em forma de fenda quando está escuro, o barulho gutural de quando tá com fome ou presenciando sangue, a ironia em mostrar uma criança com a boca cheia de sangue como se tivesse comendo um doce muito melado, que a diferem de outras obras e que conquista e te atrai pro mundo do filme, que te traz pra um ambiente super calmo, frio, que de repente pode mudar e acontecer gatos enlouquecidos atacando uma senhora, e a mesma logo em seguida entrando em combustão. E é na frieza que é construido o clima do filme, tanto da parte técnica, como mudar de planos próximos pra longos sem pena, ou quebrar ambientes escuros, pra logo em seguida cegar você com uma imagem super clara, como da parte da história, ao vermos como os personagens são tão sem rumo e perdidos na sua solidão, que eles perdem a noção de bom/ruim, certo/errado, mostrando Oskar quebrando a cabeça de um garoto, let_the_right_one_in_still_1Eli matando sem piedade e andando como se nada tivesse acontecido (a cena da piscina pra mim já tá nos CLASSICOS), e na minha opinião, tudo isso está sintetizado na cena onde ele pede a Eli em namoro.

Oskar: Você quer namorar comigo?
Eli: Por que não continuamos do jeito que estamos?
Oskar: Você não quer?
Eli: O que vai mudar se a gente namorar?
Oskar: Hmm… acho que nada.
Eli: Então tá.

Podia ainda falar milhões de coisas sobre o filme, tamanha a quantidade de detalhes que você podia perceber ao longo de filme, que te deixaria pensando por horas e horas. Mas acho que o intuito do filme é mostrar que existem tipos e tipos de histórias de vampiros, e a que ele quer mostrar e que NÃO É BOM SER VAMPIRO, é triste pra cacete e se você não tiver ninguém por quem lutar e continuar esfolando pescoços por aí, não vale a pena SER um vampiro.
(pra quem quiser ver o filme e não tiver neeeem chance de ver no cinema, pode ir sussa no torrent que já existe uma versão DVD-rip do filme.)


Responses

  1. Exatamente o que eu senti quando o filme acabou, com aquele música clássica tocando: sensibilidade à flor da pele e do sangue.
    São duas crianças bem modernas, que levam a sério sentimentos fortes.
    Sim, achei o filme de certa forma chocante, por isso podemos dizer que foi muito bem feito.
    O lance de vampirice não me agrada, mas lendo o que você escreveu aqui, eu pude lembrar de todo um sentimento por trás da lenda. Se é que podemos chamá-la assim.
    Parabéns pelo texto.

  2. 5dollarshoes?

  3. É o Duka, haha.


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