Publicado por: Neto | 05/08/2009

Arctic Monkeys – Humbug

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3 anos após explodir a cabeça de muitos adolescentes com as guitarras urgentes de Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not e 2 anos depois de passar com louvor pela prova do segundo disco, lançando o excelente Favourite Worst Nightmare, o quarteto mais ilustre de Sheffield volta a ser um dos assuntos mais comentados em 10 entre cada 10 blogs musicais. O motivo, obviamente, é o terceiro disco da banda, Humbug.

Um fato que teve maior repercussão do que a própria banda lançando um disco novo, foi a escolha dos produtores pra essa nova empreitada. Além de James Ford, companheiro de outrora dos Monkeys, a banda também resolveu chamar a cabeça pensante por trás do Queens of the Stone Age, Josh Homme. Era tudo que faltava pra aumentar a expectativa dos fãs e até dos não-fãs, que também ficaram curiosos pra ver o resultado dessa parceira promissora.

AM - Humbug

Pra quem esperava encontrar mais da energia juvenil de Whatever, se decepcionou. O Arctic Monkeys de Humbug é indiscutivelmente diferente da banda que gravou o fenômeno de vendas de 2006. E pra quem esperava uma banda britânica com o peso do stoner rock americano, também se decepcionou. Humbug soa como uma das possíveis direções que a banda poderia ter tomado depois de seu segundo disco, que ainda continha elementos do primeiro mas que já indicava uma possível mudança de sonoridade (vide “505”, “Do me a favour” e “If you were there, beware”). Sonoridade essa que a banda resolveu assumir de vez e se deu muito bem, criando todo um clima mais soturno que o costumeiro e com um quê de psicodelismo e guitarras pesadas nas horas certas.

O disco começa com “My propeller” e demora alguns segundos até acostumarmos com a voz arrastada e sombria de Alex Turner. “Crying Lightning” vem em seguida e mostra que, além de ser o primeiro single do disco, ela é o grande destaque de Humbug e um dos melhores trabalhos que a banda já fez. Espremida entre as duas músicas mais pesadas do álbum, as excelentes “Dangerous Animals” e “Potion Approaching”, está “Secret Door”, que é, junto com “Cornerstone”, o “raio de sol” (na falta de outra denominação mais apropriada) de Humbug. As duas faixas se encaixariam muito bem no segundo disco dos Monkeys – o que não é surpresa, já que as faixas são as duas únicas produzidos por James Ford, membro do Simian Mobile Disco e um dos produtores de Favourite Worst Nightmare.

A algo sexy “Fire And The Thud” é outro destaque. Nela, é perceptível a influência de Josh Homme, dando um tom mais viajado à música e deixando-a com cara de “Desert Sessions”, projeto paralelo de Homme. O disco ainda conta com as ótimas “Dance Little Liar”, onde se destacam os belos trabalhos vocais e a poderosa “Pretty Visitors”, com riff inicial que pode até nos remeter vagamente ao debut da banda. Humbug tem como faixa derradeira “The Jeweller’s Hands”, que, apesar de não se destacar tanto, também não compromete o incrível trabalho geral.

Sem querer comparar a qualidade dos trabalhos, mas a situação em si, vale lembrar que o Arctic Monkeys segue o mesmo caminho de grandes britânicas que mudaram suas sonoridades no terceiro disco: Oasis e seu exagerado Be Here Now, Radiohead e o clássico OK Computer e, mais recentemente, Franz Ferdinand em Tonight e Kasabian com The West Ryder Pauper Lunatic Asylum. Depois da novidade do primeiro disco e da temida maldição do segundo, onde a banda realmente prova se o debut foi sorte ou competência, o artista, num terceiro trabalho, se sente mais livre e confiante pra se arriscar em outros caminhos onde a vitória não é tão garantida e a coragem, aliada à criatividade, é mais que essencial. Bem, torçamos então para que o Arctic Monkeys sempre se sinta como se estivesse fazendo o terceiro disco e nos brinde com mais novidades interessantíssimas como Humbug.

Nota: 4.2/5.0

P.S.: Pra baixar o disco, basta clicar na foto da capa.

P.S.:[2] Texto também publicado no Move That Jukebox!


Responses

  1. concordo bastante…acho que a partir do terceiro disco já é dificil esperar que a banda soe parecida com os primeiros trabalhos. Inclusive acho que o Radiohead é um bom exemplo mesmo. Contudo, não acheo o terceiro disco do Oasis tão diferente assim!


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