Publicado por: Neto | 21/06/2009

Cachorro Grande – Cinema

Depois do excelente Todos os tempos, de 2007, a ansiedade e a expectativa eram enormes pro próximo disco da Cachorro Grande. E, como era previsto, o quinteto gaúcho não decepcionou os fãs e volta com mais um belo disco de estúdio, o quinto da carreira.

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Cinema transborda influências e, ao mesmo tempo, originalidade, deixando a banda no patamar dos cachorros grandes do rock brasileiro (desculpem o trocadilho, por favor!). O sistema analógico usado durante as gravações é responsável em grande parte pela sonoridade meio vintage que se pode perceber durante todas 12 músicas  que compõe o trabalho.

O violão é o instrumento preponderante em praticamente todas as canções, o que deixa o disco com um ar mais bucólico, eu diria. Bem diferente da crueza e da sujeira das guitarras de Marcelo Gross nos 3 primeiros trabalhos da Cachorro. O que eu falei já pode ser comprovado logo na primeira música, a ótima “O tempo parou”, que dita todo o clima do álbum, com alguns nuances de psicodelia e com bandolins em certos momentos.

“Dance agora” tem uma introdução à la Jota Quest (não mostrada no vídeo acima), mas logo entra no “ritmo-Cachorro-Grande-de-ser”, com Gross ligando a distorção no volume máximo nos refrões enquanto Beto Bruno esbraveja que “queria ver você dançando agora”! Haha. “Amanhã” começa e a primeira coisa que vem a cabeça é a fase psicodelia-Índia-cítara-vocais-com-eco dos Beatles. Com uma referência dessas escancarada, não tinha como a faixa não ser um dos destaques do disco, junto com “A hora do Brasil”, sexta faixa de Cinema, mas que poderia muito bem ter sido incluída em qualquer um dos dois últimos discos do grupo.

Apesar de serem instrumentistas de primeira e muito criativos na composição de arranjos e riffs para as músicas, as letras são um aspecto em que o quinteto deveria se esforçar um pouco para melhorar. Por exemplo, “O que você quer escutar” começa com uma guitarra arrepiante de Gross que nos remete imediatamente à Jimmy Page e seus riffs improváveis, enquanto ao fundo, Beto Bruno canta letras fracas e preguiçosas do tipo: “O que você pode me dizer/ Que eu ainda não sei?/ O que agora eu posso saber/ Do que você pode me dizer?”. O mesmo acontece com “Luz”, que começa com um divertido dedilhado de banjo enquanto uma guitarra pesada faz um background sonoro bem propício para a voz de Jack White entrar a qualquer momento para cantar. O único pequeno defeito da música é o repetitivo refrão em que Beto Bruno grita sem medo de ser feliz: “Luz interna/Luz exterior/ Luz externa/ Luz interior”.

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Se escutado atenta e carinhosamente, o disco ainda traz boas referências à baladas oasisanas e vocais à la Mutantes. Mas claro, com a originalidade sempre constante nos trabalhos da banda, independentemente do montante final  de referências e influências, fazendo do disco um dos melhores da banda (senão o melhor) e um dos grandes destaques entre os lançamentos nacionais de 2009.

Cinema, produzido pelo gabaritado Rafael Ramos (Los Hermanos, Matanza, Pitty), tem lançamento físico previsto pra qualquer dia até o final de junho (haha) e já está totalmente disponível no Myspace da banda e neste link pra download, também.


Responses

  1. eu ouvi o álbum uma vez só, mas gostei bastante. eles sempre fazem álbuns de qualidade.

  2. também acho, principalmente do Pista Livre pra frente =D

  3. […] pouco dos bastidores da produção de Cinema, último disco do quinteto gaúcho (resenhado por mim aqui, e pelo Iberê aqui). Destaque para a parte por volta dos 7 minutos e 50 segundos, quando o […]

  4. […] vermelho bastou para a banda se apresentar. A música em questão é o primeiro single do ótimo Cinema, lançado em […]


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