Publicado por: 5dollarshoes | 07/03/2010

Pressão dinamarquesa.

   Hoje em dia, na Internet, são vários os motivos que levam as pessoas a buscarem novos artistas. As barreiras do gênero, idade, local, não importa mais. Hoje pode estar bombando uma banda com influências africanas nas paradas, enquanto a “nova salvação do rock” britânico pode durar uma semana e nunca mais dar notícias. Mas desconhecidas ou super famosas, é um fato que música boa está sendo feita, e pérolas como o duo Quadron, da Dinamarca, inovam por tentar resgatar o velho, e fazer ele dançar na dancefloor do novo.

   Uma das últimas revelações do soul, a Sharon Jones, abalou a galerinha jovem por ser a prova viva do fetiche pelos antigos artistas da Motown, se proibindo de qualquer instrumento que tenha um ligue e desligue e faça barulho eletrônico, e gravando um clipe com a mesma estética da galerinha groove como o Bill Halley e The Supremes, que basicamente tinham vídeos que eram filmagens de programas de TV. Mas um homem esperto como o Robin Hannibal, idealizador do Quadron, e pasme, venerado pelo James Murphy (o deus por trás do sempre maravilhoso LCD Soundsystem), usou seu background eletrônico de vários projetos em que participava, para construir o Quadron, uma mistura perfeita do pop minimalista à la The Boy Least Likely To ou Telepopmusik, com sua última e luxuosa descoberta, a cantora Coco.

  

   Aqui entramos em todo um processo de tentar desvendar ou descrever a voz incrível da Coco. Mas apenas citando artistas como Erykah Badu, Lykke Li e Yael Naim, eu tento aqui mostrar como ela é uma artista singular, e que seu nome, daqui a algum tempo, vai falar por si só, sem carregar essa sofrida sina dos novos artistas, que precisam (e sempre conseguem) ser comparados a coisas que surgiram a apenas duas semanas atrás. Mas a Coco vai além, e com o sensacional comando e reconhecimento do Robin pelo seu talento, o Quadron se transforma em algo único, de tocar o coração, de se amar pela primeira vez que ouvir, ou seja, música como deveria ser, sem carregar nenhum outro propósito além de falar pela nossa alma sem mais explicações.

Download do CD: Quadron – Quadron (2009)

Anúncios
Publicado por: 5dollarshoes | 04/03/2010

Pensando a música…

… com Think About Life. Só dance.

   É bobo, é energético, é de baixa qualidade, é sério, não é sério, é divertido, é como se a new wave oitentista fosse pichada por um Andy Warhol muito nervoso e colorido que veio dançar após a morte, é de Montreal, é genial, é passageiro, é válido! Como as três primeiras faixas são as coisas mais recompensadoras em um CD, como a faixa “The Wizzard” te faz lembrar imediatamente de New Order mas logo te joga num furacão de barulhinhos que parecem sair do baú da Kate Bush… desculpem, não consigo criar um texto coerente sobre esse cd. Vou ali ouvir “Sofa-Bed” pela milhonésima vez. :B

Download do CD: Think About Life – Family (2009)

Publicado por: 5dollarshoes | 01/03/2010

Luzes, synths, Ellie Goulding.

  

   Todo mundo já está ciente do seu hype devido a blogs de música (indicada e vencedora de vários “Top artistas pra ficar de olho em 2010” por aí a fora), assim como todo mundo já sabe de onde surgiu sua inspiração para a criação do seu debut CD (background folk/open mic nights + amiguinha do Frankmusik). Se ela vai significar algo para o cenário musical em um plano maior? Little Boots e La Roux estão aí fazer companhia e dizer que: não.

Pelo menos não sendo chatíssima como a primeira, mas também não encontrando uma função para os synths como a segunda faz lindamente, Ellie Goulding consegue trazer uma vertente para os que ainda não se entregaram à moda tudo-virou-eletrônico, e ainda curtem uma garota, um violão, letras carismáticas e uma voz fofinha.

Pra quem já conhece as tiradas “Starry Eyed” e “Under The Sheets”, vai encontrar no CD músicas menos dançantes, mas com qualidades únicas, como a versão finalizada (e melhorada) da “Wish I Stayed”, que andava por aí numa versão demo voz+violão, e os maiores destaques, na minha opinião, que são para “Your Biggest Mistake” e a música derradeira “Salt Skin”. Abrindo o cd com a regular “Guns and Horses”, a Ellie começa a soar um pouco como a Natasha Beddingfield (cadê ela?), na época que ela desconhecia o poder(???) do hip-hop, principalmente nas faixas “The Writer” e “Everytime You Go”.  Baixe o cd, se divirta, e se quiser, guarda um lugarzinho pra ela porque vale a pena!

Download CD: Ellie Goulding – Lights (2010)

Publicado por: 5dollarshoes | 11/02/2010

R.I.P. Alexander McQueen

E o mundo perdeu um dos seus últimos anárquicos mais genuinos.

Publicado por: 5dollarshoes | 11/02/2010

A música do outro lado da ponte.

  

   Faith Akin é aficionado por mostrar em seus filmes as diferenças culturais de um ponto de vista positivo, como enriquecedor de uma cultura que possui os braços abertos, que é o caso da cultura e das pessoas turcas. E no seu filme “Atravessando a Ponte”, que está em cartaz junto com mais 4 filmes do diretor na mostra Cinco Vezes Faith Akin no CineOlido (quem mora em São Paulo, não pode se dar ao luxo de perder;  pertinho da estação República, e custa apenas UM REAL!!!), ele consegue ir além.

   No começo do filme, um homem em um barco de pesca fala “aprendemos a conciliar as nossas músicas com o Pink Floyd, por exemplo”. E é nesse mesmo barco que nos é apresentado o primeiro grupo musical, um grupo de rock psicodélico e experimental, que quer fazer uma apresentação à bordo. Daí começamos a ver como a vontade e a necessidade desse povo de viver de música não tem limites. Partimos daí para grupos de hip-hop com forte engajamento político e que não tem vergonha de pegar emprestado um estilo musical americano para cantar pelo seu próprio país; cantores de rua que se realizam ao juntar o velho e novo, o pobre e o rico, lado a lado, unidos pela música; tocadores de instrumentos típicos da música turca e cantoras que guiam sua voz como se fossem uma extensão de sua alma, todos apresentados nos mais simplórios lugares, desde um bar, até a casa da própria pessoa; e pra finalizar, dois astros Pop da cultura local, vindos do cinema e da TV, que foram ídolos para a infância de toda uma geração, incluindo os integrantes das bandas de rock e hip-hop citadas acima.

   Filme enriquecedor, não somente pelos artistas que nos apresenta, mas para mostrar como a música não é apenas um objeto para lucrar ou atingir a fama; que está subentendido, a partir do momento de sua criação, que ela é mais um reflexo da cultura e do pensamento de uma civilização, e a partir do momento que você a reconhece pelo seu objetivo primário, não devemos nos impor limites sobre o que ouvir ou não, gostar ou desgostar, porque no final, tudo é música.

P.S: nada mais genial do que acabar um filme desses com Music, da Madonna, interpretado numa versão turca, nos créditos finais.

Galeria Olido
Avenida São João, 473 – Centro

A mostra começou dia 9, e vai somente até o dia 14. Para ver a programação e os horários, só visitar o site da Galeria Olido aqui.

Publicado por: 5dollarshoes | 09/02/2010

Eles possuem a sopa!

   Qualquer pedinte de rua que toca gaita para o papagaio cantar um refrão da banda Calypso, ou pseudo-rockeiros que pensam em fazer música batendo panelas ou instrumentos exóticos, morreriam de inveja por nunca pensarem em tocar UMA MINI-GAIOLA DE PASSARINHO. Mas o pessoal do Tunng já fez isso e muito mais, e vem experimentando e crescendo exponencialmente a cada CD que lança, tendo o seu último lançamento, “Good Arrows”, atingido o ápice da obscuridade pop que desencarna de suas músicas.

   Possuem 3 CD’s até agora, e um já programado (e muito aguardado pelos críticos que sempre respondem com uma surpresa imensa aos seus releases) para 1 de Março. Aqui na página oficial, eles estão disponibilizando uma faixa para download, que está incluida no próximo álbum. E sobre as músicas…? Bem, não consigo traduzir a sensação “heartwarming” para portugues, muito menos em qualquer outra palavra. Te conquista com os instrumentos, letras tão surreais que podem até soar um pouco infantis, vocais deslocados e complexos, e a orgia de cores e sons que parecem transcender a audição.

Download do CD: Tunng – Good Arrows

Publicado por: 5dollarshoes | 08/02/2010

Nine inch FAILS

Bem, queria escrever aqui sobre um filme que eu vi nesse final de semana e me intrigou muito: A Fita Branca, do diretor Michael Haneke (Caché, Funny Games). Mas a sensação ao sair do cinema após a exibição ainda ta me corroendo com sua brutalidade e ao mesmo tempo simplicidade de falar sobre algo em sua essência: o mal. Daí hoje, pelo contrário, vi um filme que lá pelos seus 15 minutos de projeção, já me fez sentir algo bastante estabelecido: “que porcaria é essa, cadê os créditos finais?”. E o filme em questão é Nine, do Rob Marshall (Chicago).

 Bem, não vou ficar falando aqui da história mais do que divulgada do filme, baseado num musical blablabla, que presta homenagem ao cinema italiano, e um diretor e filmes especificos e blablabla. Na verdade o filme pareceu uma grande coleção de fetiches descontrolados.

Mais como um retrato da cultura-pop atual, que busca nos antepassados a glória, a fama e a liberdade que faltam hoje numa sociedade hipócrita e recatada, o filme tenta se sustentar numa história fraca para mostrar divas, wayfarers e músicas insossas. Como tô sem paciência pra fechar esse texto sobre um filme que possui tantas falhas gritantes em uma coisa homogênea, vou apenas ressaltar 9 coisas que mais devem ser “observadas” nesse musical:

1- Apesar de ser uma das únicas três atrizes que tentam dar alguma dimensão à suas personagens, a Penelope Cruz realmente precisa daquela cena digna de filme pornô barato, quase mostrando a vagina?
2- Roteiro podre, que não traz atração nenhuma à suas personagens, ficando isso a cargo total dos atores (onde só alguns vão conseguir tal feito, como a Penelope, Marion, Judi e Daniel), e menos ainda na história, que começa sem graça, e acaba sem recompensa emocional para as pessoas que tão assistindo, sendo todo o filme solucionado nos seus 5 minutos finais.
3- A Sophia Loren já não possui mais controle facial NENHUM!
4- Bom, por mais jogada ao acaso que seja, o número musical da Fergie (que não possui fala nenhuma) é um dos mais interessantes, tanto pela dancinha e os pandeirinhos (adorei!), como pelo seu contexto visual e histórico, que é quando o diretor toma emprestado alguns planos e enquadramentos europeus pra contar um pouco da infância da personagem Guido, e numa tacada genial mostra a busca da personagem pelo prazer do corpo feminino e sua revolta contra as autoridades familiares, sociais e religiosos (coisa que o filme inteiro continua redundantemente insistindo em nos mostrar).
5- A cena da Nicole Kidman “cantando” ao redor da fonte? Seria bem mais legal se o desfecho fosse alguém jogando ela na água.
6- AI POR FAVOR, QUEM DISSE QUE A KATE HUDSON TEM A MELHOR PARTE MUSICAL??? Ela surge numa passarela, com modelos enrolados em ternos italianos e Wayfarers (alguém sentiu clichê aí?)!!! E quando eu penso que o único mérito da trilha sonora era não possuir nenhum apelo ao pop ou hip-hop, surge ela cantando a música mais irritante do filme, onde o refrão é tão catchy quanto qualquer uma da Lady Gaga e o visual parece qualquer coisa digna de uma ex-Spice Girl falida.
7-Alguns comandam um banco, outros são padeiros e fazem pão, mas meu marido faz filmes”??????? WORST.SENTENCES.IN.A.SONG.EVER.
8- Rob Marshall tem dinheiro e vontade, mas falta talento e direção pra comandar tudo o que ele tinha nas mãos.
9- Até o momento em que eu escrevia o item 7 dessa lista, eu já tinho esquecido completamente do número musical da Judi Dench/Anna Wintour encalhada no piano.

O filme todo podia ser apenas um belo clipe, bjs.

Publicado por: 5dollarshoes | 01/02/2010

Mando Diao #feelings

   E o final de semana de vocês, como foi?

Publicado por: 5dollarshoes | 26/01/2010

Ócio criativo, artístico e construtivo.

   E daí se você não faz idéia de como lidar com a métrica musical, ou não sabe em quantos compassos construir a sua música? O que importa é que você possui o último software de criação musical que possui mais comentários positivos no Torrent, uma boa porção de samples e quer fazer música capaz de desintoxicar os ouvidos afetados pela profusão radiofônica. E foi assim que surgiu o Washed Out, projeto do americano Ernst Greene a partir desse pensamento e do seu verão tedioso na casa dos pais com um computador cheio de parafernálias baratinhas.

   Aqui eu podia citar todas essas nomenclaturas musicais andrógenas que andam surgindo com a evolução da música eletrônica e DIY, desde o synth-pop até o chill wave. Mas o que no final interessa é que você até consegue ver a fumaça mela-cueca dos clubes dos anos 80 quando fecha os olhos ouvindo a belíssima “Feel It Around”; o calorzinho do verão na casa de praia da família em “Belong” (que possui até um groove meio jamaicano); depois mudar drasticamente pra uma rave regada à muitos alucinógenos em “Lately”, e depois voltar no tempo, ter 12 anos e correr pro aniversário da vizinha ouvindo “Get Up”. Está começando a ganhar maior visualização agora depois de estar na lista das promessas para 2010 da NME, mas seu material, que constitui até agora de dois EP’s,  já rola à um bom tempo pela internet (e inclusive em K7!!!) graças à disponibilização do próprio Ernst pelas redes de compartilhamento, coisa que ele propagou em matérias como o da Ptichfork e na entrevista para o rraurl.

Download dos EP’s: Wahed Out – High Times

                                         Washed Out – Life Of Leisure

Publicado por: Bruno | 26/01/2010

Esparadrapo #6

Nós que fazemos o Esparadrapo sempre gostamos de divulgar o programa, mesmo que este esteja constantemente em fase de teste e tudo mais. Mas, apesar disso, odiamos ser os chatos que ficam pedindo encarecidamente para ver-nos! E por que eu nunca posto o Esparadrapo aqui? Simplesmente porque eu esqueço!

A gente já está na sexta edição do programa, e dessa vez, entrando na onda dos web-hits, fomos à Paulista pra saber do pessoal o que a gente tem que fazer pra ser sucesso na internet! Além disso, o tradicional bloco de “notícias do mês”. Todas as edições do programa podem ser conferidas no Youtube ou no nosso blog!

Assistam, comentem, critiquem!

Older Posts »

Categorias